O estudo avaliou a eficiência energética de um secador solar de frutas e vegetais construído com blocos de argila queimados e pedra-sabão como material de armazenamento térmico sensível, visando mitigar perdas pós-colheita nas zonas rurais. Utilizando uma abordagem experimental, o protótipo foi testado em condições reais na província de Manica, demonstrando que a pedra-sabão aumentou a estabilidade térmica e retardou o arrefecimento após a redução da radiação solar, com eficiência térmica variando entre 19,6% e 38,5%. A análise económica indicou viabilidade, com um Valor Presente Líquido de 39.623,11 MZN, uma Taxa Interna de Retorno de 70%, um Índice de Benefício-Custo de 2,72 e Payback de 1,65 anos. Conclui-se que o uso de materiais locais como argila e pedra-sabão oferecem uma alternativa eficaz, sustentável e replicável para a conservação de produtos agrícolas em comunidades com recursos limitados, recomendando-se a disseminação desta tecnologia em regiões com condições semelhantes.
Contribuição para a redução de emissões de efeito estufa e uso sustentável de recursos naturais existentes
segunda-feira, 1 de setembro de 2025
AVALIAÇÃO DA EFICIÊNCIA ENERGÉTICA DE SECADOR SOLAR DE FRUTAS E VEGETAIS FEITO DE BLOCO DE ARGILA QUEIMADO
Energia Solar Térmica em Moçambique: Solução Sustentável ou Tecnologia Subaproveitada?
Apesar do elevado potencial solar que Moçambique possui, a energia solar térmica continua a ser uma tecnologia pouco explorada no país. Este artigo propõe uma reflexão crítica sobre os factores que limitam a sua expansão — desde os custos dos materiais até à falta de políticas públicas eficazes — e apresenta alternativas viáveis, como o uso de chapa de zinco em sistemas de aquecimento solar.
A discussão convida os leitores a pensar sobre:
- O papel da inovação local na superação de barreiras técnicas.
- A importância da formação técnica e da sensibilização comunitária.
- Como a energia solar térmica pode contribuir para a autonomia energética em zonas rurais.
Capitulo 5 do Livro: New Horizons of Science, Technology and Culture Vol. 4
Resumo da Publicação
Moçambique possui um dos maiores potenciais de radiação solar da África Austral, o que representa uma oportunidade estratégica para o desenvolvimento de tecnologias de energia solar térmica. Este estudo analisa o estado actual, os desafios e as perspectivas da energia solar térmica no país, com especial enfoque na sua aplicação em edifícios sustentáveis para aquecimento.
Apesar das condições naturais favoráveis, a adopção de sistemas solares térmicos permanece limitada devido a barreiras económicas, técnicas e institucionais. O autor destaca iniciativas bem-sucedidas, como o programa SOLTRAIN, e explora abordagens inovadoras que utilizam materiais alternativos — como a chapa de zinco — para reduzir os custos de implementação.
A publicação recomenda políticas públicas direccionadas, reforço da capacidade local e inovação tecnológica como caminhos essenciais para desbloquear o potencial da energia solar térmica em Moçambique, contribuindo para a transição energética e o desenvolvimento sustentável.
Abstract
Mozambique possesses one of the highest solar irradiation potentials in Southern Africa, offering a strategic opportunity for the development of solar thermal energy technologies. This study explores the status, challenges, and prospects of solar thermal energy in Mozambique, emphasising its role in sustainable building heating. Despite favourable natural conditions, the adoption of solar thermal systems remains limited due to economic, technical, and institutional barriers. The paper highlights successful case studies, such as the SOLTRAIN initiative, and discusses innovative approaches using alternative materials to reduce costs. It concludes by recommending targeted policies, local capacity building, and technological innovation to unlock the full potential of solar thermal energy in Mozambique.
Keywords: Solar thermal energy systems, renewable energy, sustainable building, heating technologies, energy policy, innovation
How to Cite
Publicações Científicas
Sobre Fernando Aníbal Chichango
Fernando Aníbal Chichango é investigador moçambicano dedicado ao estudo e desenvolvimento de soluções sustentáveis no sector energético, com especial enfoque nas tecnologias solares térmicas. A sua trajectória académica e profissional tem sido marcada por uma profunda preocupação com o progresso científico alinhado às realidades locais, promovendo o uso de materiais acessíveis e técnicas adaptadas ao contexto de Moçambique.
Autor de diversos trabalhos científicos, incluindo o capítulo Advancing Solar Thermal Energy in Mozambique: Technologies, Barriers and Sustainable Development Pathways, publicado na colectânea New Horizons of Science, Technology and Culture, Fernando tem contribuído activamente para o debate sobre transição energética, inovação tecnológica e desenvolvimento sustentável em África.
A sua investigação combina rigor técnico com uma abordagem prática, valorizando o saber local e a integração comunitária nos processos de inovação. Actualmente, encontra-se a preparar a sua tese de doutoramento, onde aprofunda o estudo de materiais como a chapa de zinco para aplicação em sistemas solares térmicos, explorando caminhos viáveis para a autonomia energética em zonas rurais e periurbanas.
Este espaço serve como repositório das suas publicações académicas, reflexões pessoais e contribuições para o avanço da ciência em Moçambique e além-fronteiras.
Conferência Internacional de Sustentabilidade e Educação para o Desenvolvimento Sustentável
Dias 3 a 5 de Setembro 2025 na UP Maputo
EDUCAÇÃO PARA A SUSTENTABILIDADE: USO DE AQUECEDOR SOLAR DE ÁGUA A PARTIR DE MATERIAIS ALTERNATIVOS NAS COMUNIDADES MOÇAMBICANAS
Abstract. The transition to renewable energy sources is essential to achieve environmental and social sustainability. This study explores the implementation of solar collectors made from alternative materials in rural communities in Mozambique, highlighting the importance of education for sustainable development. Through participatory educational programs, we aimed to empower local communities to build and maintain solar collectors using locally available and accessible resources. The research analyzes the environmental, economic, and social impacts of adopting alternative solar technologies, promoting energy autonomy, and reducing dependence on non-renewable sources. The educational methods include participatory education, where community members share their experiences and knowledge, and continuous training programs that offer technical and educational support. Additionally, demonstration models were implemented to show the practical benefits of solar collectors, and partnerships were established with local organizations, NGOs, and educational institutions to strengthen educational efforts. These partnerships have been crucial in providing the necessary resources and expertise to ensure the success of the educational initiatives. Preliminary results indicate a significant improvement in the quality of life of the communities involved, as well as increased awareness of sustainable practices. The adoption of solar technology has not only provided a reliable source of energy but also fostered a sense of community and collaboration among the participants. This work contributes to the debate on education as a fundamental tool for sustainable development and offers a replicable model for other regions facing similar challenges. By integrating local knowledge and resources, the project demonstrates the potential for scalable and sustainable solutions in energy transition.
Keywords. Sustainability, Community Education, Solar
Collectors, Alternative Materials, Energy Autonomy.
Resumo. A transição para fontes de energia renováveis é essencial para alcançar a
sustentabilidade ambiental e social. Este estudo explora a implementação de
colectores solares feitos de materiais alternativos em comunidades rurais de
Moçambique, destacando a importância da educação para o desenvolvimento
sustentável. Por meio de programas educacionais participativos, buscamos
capacitar as comunidades locais a construir e manter colectores solares
utilizando recursos disponíveis e acessíveis localmente. A pesquisa analisa os
impactos ambientais, econômicos e sociais de adotar tecnologias solares
alternativas, promovendo a autonomia energética e reduzindo a dependência de
fontes não renováveis. Os métodos educacionais incluem educação participativa,
onde os membros da comunidade compartilham suas experiências e conhecimentos, e
programas de treinamento contínuos que oferecem suporte técnico e educativo.
Além disso, foram implementados modelos de demonstração para mostrar os
benefícios práticos dos coletores solares, e parcerias foram estabelecidas com
organizações locais, ONGs e instituições educacionais para fortalecer os
esforços educacionais. Essas parcerias têm sido cruciais para fornecer os
recursos e a expertise necessários para garantir o sucesso das iniciativas
educacionais. Os resultados preliminares indicam uma melhoria significativa na
qualidade de vida das comunidades envolvidas, bem como um aumento na
conscientização sobre práticas sustentáveis. A adoção da tecnologia solar não
apenas forneceu uma fonte confiável de energia, mas também fomentou um senso de
comunidade e colaboração entre os participantes. Este trabalho contribui para o
debate sobre a educação como uma ferramenta fundamental para o desenvolvimento
sustentável e oferece um modelo replicável para outras regiões que enfrentam
desafios semelhantes. Ao integrar o conhecimento e os recursos locais, o
projeto demonstra o potencial para soluções escaláveis e sustentáveis na
transição energética.
Palavras-chave: Sustentabilidade, Educação Comunitária,
Coletores Solares, Materiais Alternativos, Autonomia Energética.
sexta-feira, 11 de abril de 2025
quinta-feira, 16 de maio de 2024
A comunidade e a colaboração são fundamentais para o crescimento individual
A comunidade e a colaboração são fundamentais para o crescimento individual e institucional, especialmente no campo da Pesquisa e Gestão da Inovação. A interação entre pesquisadores, instituições e a indústria pode levar a avanços significativos, como demonstrado pelo estudo que analisa a colaboração em produção científica na área de gestão da inovação no Brasil (https://doi.org/10.1590/S1676-56482010000200010)
Este estudo revela que, apesar da colaboração interinstitucional ainda estar abaixo dos níveis internacionais, há um reconhecimento crescente da sua importância para o avanço tecnológico e competitividade. Além disso, a formação de redes e mecanismos de cooperação é crucial para unir o componente prático da gestão das atividades de inovação nas empresas com os aspectos científicos da organização das atividades de pesquisa e desenvolvimento.
No campo da ciência ambiental, a Rede de Pesquisa
Ecológica de Longo Prazo (LTER) realiza pesquisas de longo prazo sobre questões
ecológicas que podem durar décadas, fornecendo dados valiosos sobre as mudanças
ambientais e seus impactos. A rede envolve a colaboração entre vários locais de
pesquisa nos Estados Unidos e até internacionalmente. Da mesma forma, a Estação
Espacial Internacional (ISS) serve como um centro de colaboração entre agências
espaciais dos Estados Unidos, Rússia, Europa, Japão e Canadá, facilitando a
pesquisa em astrobiologia, astronomia, meteorologia, física e outros campos no
ambiente único de microgravidade do espaço.
O projeto COVID Moonshot é outro exemplo de um
esforço colaborativo bem-sucedido, onde cientistas de diferentes países e
disciplinas se uniram para projetar medicamentos antivirais em resposta à
pandemia COVID-19. Este projeto exemplifica como a colaboração pode acelerar o
ritmo das descobertas científicas, especialmente em tempos de crises globais.
A colaboração em pesquisa não se limita a projetos
de grande escala; Ocorre também a nível comunitário. Por exemplo, o Flint Water
Study reuniu pesquisadores da Virginia Tech e membros da comunidade em Flint,
Michigan, para abordar a crise de contaminação da água. Essa parceria não
apenas proporcionou soluções imediatas, mas também destacou a importância do
engajamento da comunidade na pesquisa.
Esses exemplos ilustram o poder da pesquisa
colaborativa em reunir diversos conhecimentos e recursos para enfrentar
desafios complexos. Tais parcerias são essenciais para o progresso científico e
têm o potencial de criar impactos duradouros na sociedade e no meio ambiente.
Projetos de pesquisa colaborativa exemplificam a sinergia que pode ser
alcançada quando indivíduos e instituições trabalham juntos em direção a um
objetivo comum, levando a avanços que beneficiam a humanidade como um todo.
Projetos de pesquisa colaborativos, embora
ofereçam benefícios significativos, como perspectivas diversas e recursos
compartilhados, também encontram uma infinidade de desafios. Um dos principais
obstáculos é a coordenação entre diferentes fusos horários, o que pode impedir
a comunicação e o fluxo de trabalho. O alinhamento de objetivos compartilhados
em meio a expectativas potencialmente conflitantes de várias partes
interessadas é outra questão comum que requer negociação e gerenciamento
cuidadosos. Além disso, garantir a distribuição equitativa de fundos e a gestão
adequada dos recursos muitas vezes se torna uma tarefa complexa, especialmente
quando os colaboradores estão espalhados por várias instituições ou países.
A dinâmica de poder também pode representar um
desafio significativo, particularmente quando há disparidades entre parceiros
acadêmicos e outros parceiros de pesquisa, potencialmente levando a conflitos
ou desequilíbrios na contribuição e no reconhecimento. Barreiras de
conhecimento e idioma podem surgir, especialmente em colaborações
internacionais, exigindo esforços adicionais para estabelecer entendimento
comum e canais de comunicação eficazes. Diferentes formas de trabalho, pressões
e tempos.
Para se envolver em uma comunidade de pesquisa e
inovação, é importante começar identificando seus interesses e objetivos dentro
deste campo. Uma vez definidos, pode-se buscar comunidades existentes que
compartilhem desses mesmos interesses. Muitas vezes, essas comunidades podem
ser encontradas em plataformas digitais e redes sociais, onde membros trocam
conhecimentos e experiências. Participar de eventos, conferências e workshops
também é uma maneira eficaz de se conectar com profissionais da área e descobrir
grupos de pesquisa e inovação. Além disso, contribuir com fóruns online e
grupos de discussão pode ajudar a estabelecer sua presença na comunidade.
Universidades e institutos de pesquisa
frequentemente hospedam eventos e projetos colaborativos que estão abertos à
participação da comunidade. Essas instituições também podem oferecer programas
de treinamento ou parcerias que permitem o envolvimento direto com a pesquisa e
inovação. Outra estratégia é se conectar com incubadoras de empresas e
aceleradoras, que muitas vezes têm uma forte componente de inovação e oferecem
oportunidades de networking.
É igualmente benéfico criar e cultivar sua própria
rede de contatos, mantendo-se ativo em discussões relevantes e compartilhando
suas próprias ideias e trabalhos. Isso pode incluir a publicação de artigos,
participação em painéis de discussão e colaboração em projetos de pesquisa. Ao
demonstrar seu conhecimento e interesse, você pode atrair a atenção de outros
membros da comunidade e abrir portas para oportunidades de colaboração.
Além disso, muitas comunidades de inovação
incentivam a participação ativa, oferecendo papéis de liderança ou comitês
organizacionais que você pode se candidatar para ajudar a moldar a direção da
comunidade. Isso pode ser uma excelente maneira de contribuir
significativamente e ao mesmo tempo desenvolver habilidades de liderança e
gestão.
Finalmente, é essencial manter-se atualizado com
as últimas tendências e desenvolvimentos na área de pesquisa e inovação. Isso
não só irá ajudá-lo a contribuir de forma mais eficaz para a comunidade, mas
também permitirá que você se beneficie do conhecimento coletivo e das
oportunidades que surgem dentro desses grupos. A participação em comunidades de
pesquisa e inovação é uma jornada contínua de aprendizado, colaboração e
descoberta.



